Somos Imagem e Semelhança de Deus


Lendo o início da narrativa de Gênesis sobre a criação, pude perceber que ali diz que o homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus.

Mas o que significa isso? Seríamos nós como uma espécie de Deus também? Temos algo de divindade dentro de nós ou significa outra coisa? Não consegui achar essa resposta em minha leitura, pode me ajudar?

No sexto dia da criação, disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26).

Então, Ele terminou Seu trabalho com um “toque pessoal”. Deus formou o homem do pó e deu a ele vida, compartilhando de Seu próprio fôlego (Gênesis 2:7).

Desta forma, o homem é único dentre toda a criação de Deus, tendo tanto uma parte material (corpo) como uma imaterial (alma/espírito).

Muitas pessoas possuem algumas dúvidas sobre o verdadeiro significado da expressão “imagem e semelhança de Deus”. De fato essa expressão representa alguns desafios de interpretação. Então, neste estudo, iremos refletir sobre qual é a doutrina bíblica sobre este tema.

O que Significa Ser a imagem e semelhança de Deus?

Ser a imagem e semelhança de Deus não significa que somos pequenos deuses, e nem que temos qualquer poder soberano independente em nós. Também não significa aparência física, como se Deus tivesse um corpo físico como o nosso. Essas possibilidades são facilmente refutadas biblicamente.

Em termos bem simples, ter a “imagem” e “semelhança” de Deus significa que fomos feitos para nos parecermos com Deus. Adão não se pareceu com Deus no sentido de que Deus tivesse carne e sangue.

A imagem de Deus se refere à parte imaterial do homem. Ela separa o homem do mundo animal, e o encaixa na “dominação” que Deus pretendeu (Gênesis 1:28), e o capacita a ter comunhão com seu Criador. É uma semelhança mental, moral e social.

O homem perdeu a imagem e semelhança de Deus após o pecado?

As Escrituras afirmam categoricamente que após o pecado, o homem continuou sendo a imagem e semelhança de Deus.

Em Gênesis 1:26, antes da Queda, vimos que o homem é denominado como sendo a imagem e semelhança de Deus. Já em Gênesis 5:1, agora após a Queda, o homem continua sendo designado como a imagem de Deus.

A passagem bíblica mais direta e explicita sobre esse princípio está em Tiago 3:9. Nesse texto somos exortados a respeito do erro em amaldiçoar alguém, pois os homens “foram criados à semelhança de Deus”. Em outras palavras, o ensino bíblico nesse capítulo é que quando maldizemos alguém, indiretamente estamos maldizendo o próprio Deus, pois o homem reflete a sua imagem.

Logo, tanto do ponto de vista do Antigo quanto do Novo Testamento, o homem, mesmo após a Queda, traz consigo a imagem de Deus. Se o homem tivesse perdido essa imagem, não faria qualquer sentido os escritores bíblicos continuarem se referindo ao significado e importância desse ensino revelado nos primeiros parágrafos das Escrituras.

Portanto, Gênesis 5:3 estabelece uma correlação verbal com Gênesis 1:26-28. Todavia, da mesma forma com que a imagem de Deus continuou a ser transmitida a cada ser humano, a corrupção da natureza de Adão após a Queda também foi transmitida a cada um dos homens. Isto nos leva a outra verdade presente nas Escrituras: após a Queda, a imagem de Deus no homem foi desfigurada.

A imagem e semelhança Deus no homem foi desfigurada

Deus criou o homem de forma perfeita, irrepreensível, com caráter puro e sem contaminação. Porém, o pecado distorceu e maculou essa imagem, deformando o seu caráter. Antes da Queda o homem era verdadeiramente livre, isto é, não estava contaminado pelo pecado.

Porém o homem pecou, e a imagem de Deus foi manchada, maculada, desfigurada e completamente deteriorada. Ele se tornou incapaz de produzir qualquer justiça própria que o credencie a salvação.

Assim, o pecador continua sendo o ser criado à imagem e semelhança de Deus, visto que essa é a base da dignidade ordenada divinamente presente em todo ser humano. Mas essa imagem está fracionada e desfigurada pelo pecado.

Em alguns, essa imagem se apresenta de forma um pouco mais precisa. Já em outros, a imagem de Deus parece estar bem mais distorcida. Mas em ambos os casos, a imperfeição moral da humanidade é revelada. A compreensão desse princípio, juntamente com a noção da graça comum que Deus derrama sobre a humanidade, explica o fato de muitos incrédulos demonstrarem, por exemplo, bondade, caridade, lealdade e as mais variadas boas ações.

Mesmo o pecador estando escravizado pelo pecado, a imagem de Deus, ainda que distorcida, está impressa nele. Por isso ele pode produzir coisas boas em seu convívio com a sociedade, no uso de suas habilidades criativas e intelectuais, e até mesmo na esfera moral. Obviamente a maioria dos seres humanos não é tão má quanto poderia ser.

O homem é a imagem e semelhança de Deus, e essa característica não pode ser separada de sua natureza. Porém por esta mesma natureza ter sido corrompida, a imagem de Deus no homem foi fatalmente atingida e desfigurada.

A imagem e semelhança de Deus restaurada no homem

Vimos que o homem ainda é imagem e semelhança de Deus, porém numa versão pálida, distorcida e corrompida pelo pecado. Também vimos que por si mesmo homem algum pode recuperar a imagem perfeita e imaculada com a qual foi criado originalmente.

A boa notícia é que a Palavra de Deus nos revela que essa qualidade danificada pelo pecado é em Cristo restaurada (Romanos 8:29). Cristo é a perfeita imagem do próprio Deus (Colossenses 1:15).

Ao nascer de novo, a imagem de Deus no homem começa a ser reconstruída, de modo que o verdadeiro seguidor de Cristo torna-se como Ele “em justiça e retidão” (Efésios 4:24).

Sobre o cristão como sendo a imagem e semelhança de Deus, talvez a melhor definição seja dizermos que quando o homem é regenerado, ele passa a ser a “imagem redimida de Deus”. O apóstolo Paulo escreve exatamente sobre isto. Ele diz que o cristão genuíno se reveste do novo homem “que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3:10).

Esse processo de restauração da imagem de Deus que ocorre nos santos é um processo progressivo e contínuo. Ele alcançará sua plena realização apenas no dia vindouro do maravilhoso retorno de nosso Senhor.

Nesse dia seremos a perfeita imagem e semelhança de Cristo. Diante dele, nós nos encontraremos profundamente extasiados, admirando o esplendor daquele que nos resgatou. Nesse momento, a imagem de Deus terá sido completamente restaurada em nós.

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